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8/23/2021

Esgoto como fonte de recursos para aproveitamento energético, adubo e água potável



Com soluções descentralizadas, fontes de recursos do esgoto, como fósforo, nitrogênio, potássio, água, matéria orgânica e biogás podem ser utilizadas para diversos fins.

No Brasil, os investimentos em tratamentos de efluentes são insuficientes. Cerca de 60% dos efluentes não são tratados e terminam in natura nos recursos hídricos. No entanto, os efluentes são fontes de recursos para geração energética, adubo e até podem se tornar água potável. Foi o que afirmou o engenheiro naval Vitor Chaves, no “Abra Talks”, evento virtual mensal da Abrafiltros – Associação Brasileira das Empresas de Filtros e seus Sistemas – Automotivos e Industriais, quando abordou o tema “O esgoto como fonte de recursos e a importância das soluções descentralizadas”, no dia 12 de agosto, via zoom. 

No esgoto, há nutrientes como fósforo, nitrogênio e potássio; água, matéria orgânica e biogás. Nutrientes que podem ser usados na produção de alimentos, com avançados processos de tratamento podem ser devolvidos para a rede como água, usados como biosólido e biogás no aproveitamento energético. Segundo Chaves, o esgoto bruto pode passar por diversos tratamentos, como membranas na ultrafiltração, osmose reversa, ozonização/carvão biologicamente ativado, nanofiltração e processos oxidativos avançados e chegar até a água potável. “É preciso cuidar da água já que é um recurso escasso. No Estado de São Paulo, a disponibilidade hídrica é 2.468 m³/hab. ano, volume considerado pobre, segundo classificação da ONU. Na Bacia Alto Tietê, na região metropolitana de São Paulo, a situação é ainda mais grave, pois conta com 201 m³/hab. ano. Menor que 1.500 m³/hab. Ano, a condição é crítica, de acordo com a ONU”, comentou.

Entre os exemplos de soluções descentralizadas, Chaves citou o tanque de evapotranspiração para água do vaso sanitário, composto por uma câmara de fermentação, casa de entulho cerâmico para microrganismos decompositores de esgoto, caixa de ferro-cimento impermeável, filtro grosso de brita, filtro fino de areia e terra semeada de plantas que evaporam a água. 

Também destacou o papel do banheiro seco em muitas comunidades, com câmara e segregador de urina no próprio vaso. As águas são conduzidas a um círculo de bananeiras ou plantas com elevada capacidade de evapotranspiração, como a taioba.

Ao final da apresentação, o palestrante ressaltou que é fundamental pensar nos potenciais de soluções descentralizadas no meio urbano – reúso em condomínios, ETEs para bairros e comunidades, integradas urbanisticamente e aproveitamento descentralizado de biogás, entre outras.

Para o presidente da Abrafiltros, João Moura “a água é um recurso cada vez mais escasso e que precisa ser valorizado, por isso, o tratamento de esgoto por meio de soluções descentralizadas, possibilita o aproveitamento desse recurso, de forma sustentável e assim todos saímos ganhando”.

O próximo Abra Talks acontece no dia 16 de setembro (quinta-feira) às 9h e, abordará assuntos relacionados aos segmentos de Filtros Industriais, Saneamento e Filtros para Estações de tratamento de água e efluentes & reúso e Filtros Automotivos. As inscrições para o evento são gratuitas e podem ser feitas através do link: https://www.sympla.com.br/abra-talks__1315034  até o dia 15/09.

Sobre a Abrafiltros:
Criada em 2006, a Abrafiltros – Associação Brasileira das Empresas de Filtros e seus Sistemas – Automotivos e Industriais – tem a missão de promover a integração entre as empresas de filtros e sistemas de filtração para os segmentos automotivo, industrial e tratamento de água e efluentes – ETA e ETE, representando e defendendo de forma ética os interesses comuns e consensuais dos associados.
 
Mais informações:
Verso Comunicação e Assessoria de Imprensa
www.versoassessoriadeimprensa.com.br

Fonte da imagem: Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (Fiocruz/FCT - www.otss.org.br)

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