Scania prevê avanço de 30% das vendas de caminhões em 2018


Pesados podem até superar este índice e atingir as 40 mil unidades, estima o VP comercial, Roberto Barral 


SUELI REIS, AB

O ano começou muito bem para a Scania: a montadora de caminhões focada nos segmentos pesado e semipesado já registra a venda de mais de 1 mil unidades entre janeiro e fevereiro antes mesmo do fim do primeiro bimestre. É de fato um início de ano atípico – historicamente são os meses mais fracos em termos de volume de negócios. Para se ter ideia, no mesmo período de 2017, a empresa vendeu metade deste volume. Com este cenário mais positivo a montadora renova seu otimismo e projeta um 2018 de crescimento mais robusto.

Suas previsões apontam que o mercado de caminhões crescerá 30% em 2018, mesmo índice previsto para o segmento em que atua, o de caminhões semipesados e pesados (acima de 16 toneladas de PBT), que deve chegar a 40 mil unidades neste ano – dos quais a empresa quer fatia de 7 mil. O vice-presidente de operações comerciais da Scania no Brasil, Roberto Barral, afirma que a previsão está baseada em uma reação consistente do mercado, que vem sendo observada desde setembro do ano passado, que se manteve no fim de 2017 e perdura até agora. Tanto que na Fenatran, realizada em outubro passado, Barral diz que trabalhava com uma projeção de crescimento das vendas para 2018 entre 15% e 20%, previsão que foi melhorada conforme os clientes demonstraram interesse real na compra de caminhões novos. A própria feira foi um marco: durante o evento, a Scania conseguiu efetivar 1,3 mil prospecções em negócios.

“No início, ficamos na dúvida, avaliando se era ou não uma reação pontual. Mas as vendas do setor estavam represadas e agora há uma necessidade de renovação de frota, por questões de custo operacional e também porque outros setores da economia estão voltando”, afirma Barral, vice-presidente da Scania.

O executivo avalia que o aumento da confiança do consumidor reaqueceu a economia a partir do descolamento com o cenário político. “Temos uma melhora gradativa do mercado e contamos com alguns fatores que poderão ser decisivos para um ano melhor, como a baixa do juros”, analisa. O diretor de vendas de caminhões, Ricardo Vitorasso, reforça que o agronegócio continuará puxando o mercado de caminhões pesados em 2018, como foi no ano passado, principalmente pela movimentação da safra. “O segmento de grãos continua forte, mas o aumento da demanda no transporte de cargas vem também com outros segmentos, como o de cargas industriais”, explica.

O setor de mineração também está renovando frota: por ser uma das pontas da cadeia industrial, está refletindo a melhora do segmento. Outro fator que está alavancando o mercado de caminhões é que com a crise, muitas empresas transportadoras fecharam as portas, elevando a necessidade das que ficaram em atender a demanda crescente, fazendo inclusive com que algumas empresas analisem a necessidade de aumentar sua frota. Tudo isso também está gerando a recuperação do frete. Contudo, na avaliação da empresa, apenas a construção civil ainda não demonstrou este reaquecimento.

ANO BOM
Barral conta que a retomada do mercado de caminhões não pegou a Scania de surpresa e que a empresa vem se preparando para elevar o padrão de suas operações no Brasil antes mesmo das vendas esboçarem uma reação. No início do ano passado, a montadora anunciou um investimento de R$ 2,6 bilhões no Brasil, para ampliação de capacidade e modernização de sua fábrica em São Bernardo do Campo (SP), como a robotização da linha responsável pela montagem de cabines. O investimento também previa o desenvolvimento dos novos motores de 450 cv e de 510 cv, que segundo testes internos, estão 5% mais econômicos com relação aos propulsores atuais, de 440 cv e 480 cv. Parte das vendas efetivadas pela empresa neste primeiro bimestre já contemplam caminhões com os novos motores, cuja produção começou neste mês. 

Outra parte do aporte também será destinada para a rede de concessionárias, cujas ações a empresa prefere não revelar. Atualmente, a marca conta com 120 revendas distribuídas em todo o País, todas certificadas com o padrão de qualidade e atendimento pela montadora. Ela foi responsável pelo desempenho positivo da marca no ano passado: a Scania foi uma das montadoras de caminhões que mais cresceu em termos de volume e participação de mercado, terminando o ano em 5ª colocada no ranking do setor. Suas vendas fecharam em 5,7 mil unidades, crescimento de 35,5%, muito acima dos 9% registrados pelo setor. Este volume elevou sua participação em 2,61 p.p. no mercado total de caminhões, para 11%, apenas 0,4 p.p. atrás da rival Volvo. Considerando apenas o segmento de pesados e semipesados, a Scania alcançou market share de 26% contra 23% do ano anterior. 

“O ano de 2017 foi de celebração pelos 60 anos da marca no Brasil e também pelo nosso desempenho. Temos agora uma boa perspectiva para 2018 e não acredito que essa reação seja uma bolha do mercado”, defende Barral.

Ele analisa que com a retomada, o índice de produção destinado ao mercado local deve aumentar gradativamente. Hoje, de tudo o que a fábrica brasileira produz, entre caminhões e ônibus, 70% são destinados às exportações. “Em 2013, era exatamente o contrário, a proporção era 70% para o mercado interno e 30% para exportações”, lembra.

Em termos de serviços, a Scania também comemora: 40% dos caminhões que saem de fábrica contratam algum plano de manutenção. Além disso, a empresa contabiliza 8 mil veículos conectados desde que lançou o serviço de gerenciamento de frota, há pouco mais de um ano. 

Fonte:  www.automotivebusiness.com.br

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